quinta-feira, 27 de maio de 2010

(78)

O CLÃ

Na última segunda-feira recebi a notícia que eu e meus amigos de sala não seremos nada na vida. O vidente, ou olheiro, como a pessoa se auto-intitula não falou isso porque morre de amores por todos nos, e sim por ser uma pessoa amarga e mesquinha. Não tenho nada contra ela, de forma alguma, na verdade sinto pena. Não vou me dar ao luxo de fazer julgamentos, acho que 200 minutos por semana não são o suficiente para definir um caráter, e muito menos uma carreira. Acho que cometemos erros porque estamos crus em algumas coisas, mas vejo muito talento ao meu redor. Não vejo ninguém aqui desistindo. Por isso lhes apresento o CLÃ:

A seita é formada pelos alunos de jornalismo do 6º período da PUC.

Membros:

Bernardo Biagioni – Todo dia tento aproveitar a presença desse gênio das palavras, pensamentos e idéias. Acredito que depois da formatura nunca mais o verei, não porque ele abdica da companhia dos seus amigos, e sim porque o nosso mundo é pequeno demais para ele. Biagioni nasceu para brilhar entre os grandes, é um nome que vamos ouvir depois de nossa morte. Um dia vou falar para os meus filhos, fui colega de sala desse cara. De alguma forma ajudei no processo de criação de um semi-deus do jornalismo. Maior do que o Bernardo, só ele mesmo.

Gilberto – Um gênio preguiçoso. É assim que eu vejo o nosso Gilbertão, um cara grande por fora e imenso por dentro. Como o Homem Aranha, ele perde tempo demais protegendo os outros, por isso a aparente “preguiça”. De forma alguma esse cara é preguiçoso, ele é um guerreiro, que só deixa um campo de batalha depois de morto. Ele não sabe, mas admiro muito a sua garra, e eu tenho certeza que quero ser seu amigo para toda a vida.

Marcelo – Nunca neguei que tenho mais contato com o Marcelo. Acho ele é um cara incrível. Se um dia eu mudar de corpo quero ficar com o dele. Marcelão sabe fazer de tudo, tudo mesmo. Sua simplicidade me comove. Nunca vi ele negando um pedido aos seus amigos, pode demorar para fazer, mas ele faz e muito bem feito. Uma pessoa que por onde passa deixa milhões de seguidores só poder ser especial. Com o tempo percebi o tanto que ele já fez por mim. Não falo das caronas, das risadas, dos trabalhos ou dos jogos de futebol, e sim da sua amizade. Há uma diferença enorme em ser seguidor e ser amigo de Tchelin Pawner, e me orgulho de ser seu amigo.

PH – O Vidigal tem seu próprio ritmo. Como a vida, ele produz coisas grandiosas no tempo certo. Nunca imaginei que o “câncer” da sala fosse capaz de fazer o que ele faz. Posso tentar a vida todo que eu nunca serei como o Raphael Vidigal.
Esse é outro amigo que vou perder para o mundo. Ta ai uma pessoa capaz de fazer acontecer. Seu talento é incontrolável.

Pedro – O Pedro é um cara muito engraçado e não por isso menos brilhante que os outros. Admiro muito seu estilo de vida, sua animação, suas escolhas, tudo. Às vezes o observo e vejo nele uma pessoa realmente muito boa, alguém que podemos chamar de amigo por toda a eternidade.

Soou um pouco gay não é? Pode ser, mas eles são meus amigos e com eles é assim, na base da verdade, sempre.

É isso!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

(74)

O mundo seria muito melhor sem a lição de moral. Vamos dizer um basta, parar com isso. Estamos querendo provar o que para quem? Até parece que os salvadores da pátria estão preocupados com o futuro daquele a qual se destina as palavras da salvação. Porra nenhuma! A famosa lição de moral é um ato egoísta, voltado a uma auto-afirmação de que eu sei o que estou falando e como sou muito superior a você tenho o direito a lhe ordenar o que fazer porque do auto do meu humanismo estou querendo a paz do mundo e todos que vivem nele.

Na minha opinião, que ataca demais, que paga de santinho muitas vezes, tem o rabo preso. Nunca ninguém viu Gandhi gritando para o mundo que ele vivia na miséria pelo povo da Índia, ou que a Madre Teresa de Calcutá doava a sua própria comida para os pobres. E o Chico Xavier, abdicou de uma vida rica por aqueles que ele nem conhecia. Quer ajudar a você ou ao próximo? É essa pergunta que devemos nos fazer.

Mandar, pagar de fodão é muito bom, não há no mundo alguém que não goste. Eu mesmo amo dar lição de moral, falar que eu sou honesto, justo e não sei mais o que. Quando os outros falam isso de mim, melhor ainda, estou no céu. Puta hipocrisia, se bobear nunca ajudei ninguém com o coração verdadeiramente aberto nesse mundo.

Pra terminar, uma lição de moral para todos que perderam o seu tempo lendo o que eu insisto em escrever: Nunca julgue o próximo, vamos aprender a elogiar mais e criticar menos, até aqueles intelectuais metidos a salvadores do mundo merecem o nosso perdão. Fim da lição.

domingo, 23 de maio de 2010

(73)


RATATOUILLE

QUEM FEZ: Brad Bird sob a tutela da PIXAR

BRAVO! A forma como a cidade de Paris foi retratada. O filme é visualmente muito bonito. É possível se sentir dentro da cidade francesa.

HISTÓRIA: Remy é um rato que sonha em se tornar um grande chef francês, mesmo traindo os desejos de seu pai, o líder da sua “tribo”. Quando o destino o leva aos esgotos de Paris, Remy se vê na situação ideal, bem embaixo do famoso restaurante de seu herói culinário, Auguste Gusteau. Ao chegar ao restaurante, ele encontra Linguini (Lou Romano), um atrapalhado ajudante que não sabe cozinhar e precisa manter o emprego a qualquer custo. Remy e Linguini realizam uma parceria, em que Remy fica escondido sob o chapéu de Linguini e indica o que ele deve fazer ao cozinhar. A partir daí, os dois ganham notoriedade e arrumam muita confusão na capital francesa.

CENA INESQUECÍVEL: A leitura da crítica final do temido Anton Ego (Peter O’Toole). O texto além de belíssimo, coloca toda a classe jornalística no chinelo. Como esses caras sabem contar uma história. Palmas para os gênios da Pixar.

BÔNUS: Peter O’Toole dando voz ao crítico gastronômico Anton Ego. Que ator brilhante, até quando não aparece em cena consegue passar toda a emoção para o personagem.

MORAL DA HISTÓRIA: Não importa quem você seja, é possível realizar os seus sonhos.

Mais uma vez a ironia reina nos seus filmes da Pixar. Com “Toy Story”, eram os brinquedos que brincavam quando estávamos longe. No filme “Carros”, os automóveis apostavam corrida. Por sua vez, os Incríveis apresentam um grupo de heróis que não podiam ser heróis, e agora em Ratatouille é a vez de um rato que sonha em ser um chef de cozinha. Logo um rato, animal tão repulsivo, aquele que vive nos esgotos e no lixo, comendo e roendo as nossas sobras.

Apesar da brincadeira do roteiro, o filme é muito bem contato e consegue transmitir mais uma mensagem positiva e verdadeira, sem parecer apelativo em hora nenhuma.

Os outros filmes de animação ficam na historia pelo visual, o humor e os atores famosos, já a Pixar deixa sua marca pelos personagens tocantes, frutos de roteiros invejáveis.

São 10 filmes em 15 anos, um melhor do que o outro. Preciso falar mais alguma coisa? Isso sem falar nos inúmeros prêmios e milhões para o cofre da Disney.
Isso é cinema !

sábado, 22 de maio de 2010

(72)


O dia em que conversei com Daniel Day Lewis.

Bom, primeiramente queria dizer que nunca tornei essa conversa pública por motivos éticos. Daniel Day Lewis pediu para que nada fosse divulgado, já que a promessa era que teríamos um bate-papo e não uma entrevista. Como aconteceu com William Miller em “Quase Famosos”, o acaso foi o grande responsável desse fato mais do que inusitado. Lá estava eu, uma criança de 11 anos em Trancoso, Bahia, a famosa terra da meditação e da paz interior. Lembro-me bem deste dia, que por incrível que pareça estava chuvoso e frio. Minha estádia na cidade era decorrente de uma viagem com a família, que desde o início fui contra. Não sou muito fã de excursões e passeios fora do meu mundinho.

O dia estava uma droga. O ônibus que levava todos quebrara no caminho a praia, ou seja, fomos a pé em meio a caranguejos e lamaçais. Ao chegar ao nosso destino, a chuva veio nos acompanhar.

Já instalados na barraca, devidamente protegida contra a força dos ventos e da água, começo uma briga com a minha família, que insistia em me forçar a contar o porquê do meu sumiço na noite passada. A minha vida particular pertence só a mim, até hoje não consegui explicar isso a eles.

Depois de muita discussão e fúria, parti rumo ao norte. O meu objetivo era andar até que a raiva se fosse da minha mente. Após 4 minutos de caminhada, sem nada a frente ou atrás, só com o som das ondas ao meu redor, me deparo com um homem sentado na areia. Com aparência esquisita, ele usava um chapéu longo, que tampava todo o seu rosto. Ele era alto e muito magro. Com aqueles olhos azuis, desde desde o princípio percebi que brasileiro ele não era. A sua frente, um par de sapatos que com muito cuidado e carinho tratava de limpar e engraxar. Aquela cena era no mínimo estranha, praticamente no fim do mundo, um homem estava sozinho tratando dos seus sapatos? Loucura demais para ser verdade. Procurei me aproximar dele e quando fui sentado ele logo me disse: “Não sou brasileiro, não falo português e não quero conversar”. Claro que ele não disse dessa forma, e sim com um sotaque pra lá de estrangeiro, mas consegui entender. Para quem não falava a nossa língua, ele se expressou muito bem, achei estranho, mas fiquei na minha.

Bom, sempre fui muito obediente, me sentei perto dele, porém em silêncio. Não fazia a menor idéia de quem ele fosse e não entendi o que ele estava fazendo ali.

Passados trinta minutos resolvi puxar conversa. Posso falar que não foi nada fácil, o medo daquele homem ficar com raiva e me bater era imenso. Eu uma criança, que estava fugindo dos pais e mais do que isso, eu fugia da minha vida, da pessoa que eu era.

Quando perguntei quem ele era, fiquei surpreso com a resposta. Com um tom bem baixo ele disse: Sou Daneil Day Lewis e você?

Tive que responder, não estava em posição de questionar aquele homem.

Me chamo Diego, estou de viagem com a família.

Entendo, só “arranho”o português, estou aqui há uns dois anos. Muitos pensam que estou recluso na Itália, mas prefiro o Brasil, a Bahia. Passei três anos sozinho na Europa, só eu e meus sapatos. Desde 99 que moro aqui.

Entendi, mas porque você escolheu ser sapateiro?

Olha, não sei se vc me conhece, mas sou um ator de cinema muito famoso. Até ganhei aquele tal de Oscar. Mas descobri que não era isso o que queria para a minha vida. Sempre vivi cada personagem intensamente. Quebrei costelas, peguei pneumonia, aprendi a fazer cigarros indígenas, lutei boxe e rezei como ninguém. Sabe o que tudo isso me rendeu? Fama, dinheiro, fãs e um casamento. Mas nunca a felicidade que eu queria. Sempre gostei de trabalhos manuais, então tentei ser sapateiro na Itália, quando estava por lá, enxerguei que aquele sim era o meu destino. Resolvi fazer isso. Foi assim que tudo aconteceu.

Mas a fama, sucesso e dinheiro, isso não era bom?

No início sim, mas a vida é muito mais que isso. Quando comecei, queria ser o melhor ator do mundo, mas isso se tornou pequeno depois que eu consegui. Acho que quando cheguei ao topo, vi que a felicidade não estava plena porque eu queria apenas provar para os que duvidavam de mim que eu era capaz. No fundo, não queria nada daquilo. Eu gosto mesmo é de lidar com sapatos e outros trabalhos manuais. Estou fazendo redes de pescador e pretendo aprender a dançar capoeira em breve.

Mas a vida de ator, você não gostava?

(Lagrimas) Gosto, mas o que me garante que tudo não será como antes? O que me atraía era a chance de viver alguém que eu jamais seria. Isso que é genial. A vida não imita a arte, a arte é a vida quando estou em um set. Já fiquei em uma cadeira de rodas e ali aprendi a dar o devido valor ao meu corpo. Me cuidei melhor, fiquei mais responsável e posso dizer que vivo uma vida saudável. Tudo isso porque senti na pele o que é viver sem poder andar e mexer o meu corpo. Olha, não pense que a vida é eterna e que tudo dará certo porque tem que acontecer. Isso é mentira. Nada acontece porque tem que acontecer. Primeiro é preciso acreditar em si mesmo, somos capazes de tudo, tudo mesmo. Porque uns tem sucesso e outros não? Superioridade? Nada disso, é tudo confiança. Sonhe alto meu amigo, confie em você, seja corajoso, não deixe de lutar jamais, porque neste corpo, a vida é uma só. Nunca deixe que a dúvida tome conta de você, se arrependa, mas sempre tentando e não lamentando.

Por que você está me falando tudo isso?

Porque não? Qual o motivo de eu me negar a falar com uma criança, que está apenas começando na vida. Quem dera eu com a sua idade, faria quase tudo diferente. Já vivi muito, fiz coisas que poucas pessoas no mundo fizeram, e mesmo assim não foi o astante. Se eu pudesse realizar um sonho, queria volta aos meus 15 anos. Preste atenção, nunca deixe que alguém zombe da sua idade. O tempo é o senhor da razão, mas nos somos os atores, aqueles que fazem tudo acontecer. Você pode ser um senhor de 70 anos e se comportar como uma criança. Quando mais jovem, maior a chance de aprender e principalmente concertar os seus erros. É isso que nos diferencia dos outros, os erros. Só se aprende errando meu amigo, não tenha vergonha de cair desde que você consiga se levantar.

Quando ele acabou de falar, se levantou e foi embora.

Por que você esta indo?

Minha missão por aqui acabou. Espero que tenha ajudado a sua jornada. Uma última coisa, seja grande, sempre. Não deixe que a sua mente lhe censure. Podemos lidar com tudo, desde que confiarmos que seja possível. Não se esqueça, somos a imagem do criador. Até nunca mais.

Bom, achei tudo aquilo muito estranho, muito louco. Depois de muitos anos descobri que Daniel Day Lewis nunca veio ao Brasil e que ele foi sapateiro na Itália por anos, até volta a atuar em "Gangues de Nova York". Mas tudo foi tão real, sonho não era, nem alucinação. Acho que é mentira mesmo, devo te afogado no mar e acordado na praia, pensando na minha razão de existir. Deve ser isso, só pode.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

(72)

Segue abaixo um conto de minha autoria, que não tem nada a ver com a minha vida ou de qualquer conhecido meu. Sem terror galera, por favor !


Conto: Quero ser grande !


Aos 15 anos penso na razão da minha vida. Sei que desejo ser alguém. Desejo transcender as barreiras do possível e do imaginável. Meu sonho é de que daqui a 500 anos, ou quem sabe no próximo milênio alguém saiba quem eu fui.

Esse não é um sonho exclusivo. Se pensarmos bem, é o grande dilema na vida do homem. Dilema que começou com Aquiles, e pode terminar comigo, ou passar para os meus filhos, amigos e desconhecidos. Morrer no anonimato não é animador. Uma vida feliz e honesta ou a fama e o sucesso, porém com o ódio e a repulsa?
Penso eu aqui nessa situação. A minha vida caminha para o eterno apagão. Vou me casar em torno de 10 anos, não conheço a minha futura esposa, mas já sei como será. Vamos nos conhecer no trabalho, no início ela vai preferir não me dar bola, mas com o tempo a paixão será inevitável. Peço ela em namoro no bar que sempre vamos. Pra comemorar, partimos para um motel, rumo a noite mais romântica de nossas vidas. No início o sexo é maravilhoso, parece que depois de cada vez o chão some aos nossos pés.

Nos seguinte sete anos de namoro vem o casamento. Depois de estabelecidos economicamente, o certo é morar juntos. Filhos, uma casa maior, promoções no trabalho, às coisas vão se sucedendo. Com o passar do tempo, aquela gordurinha embaixo do braço dela já me irrita. Suas calcinhas começam a crescer de tamanho e a vida a dois acaba. Agora temos filhos a criar. Primeiro eles, depois a vida.

Aqui estou eu, aos 65 anos, sentado em um asilo, na esperança de rever a minha família. Por mais de 30 anos me dediquei a eles, e agora estou aqui, no lugar mais triste do mundo a espera deles e da morte. O pior é que estou mais ansioso com a chegada da morte. Paro e penso, não é isso que quero para mim.

Resolvo mudar, aos quinze anos à vida nem começou, vou ser alguém marcante, uma pessoa que deixara sua assinatura pelo mundo. Entro no colégio com a mesma calma de sempre. Sento-me na primeira carteira, comprimento os meus amigos e me preparo para o início da aula. Quando a professora chega, espero tudo se encaminhar para normalidade. Quando ela se vira para o quadro, pego a faca na minha mochila e sem pensar mato a minha professora. O golpe é fatal, sem chance de reação, ela cai morta. Sua face branca contrasta com o solo vermelho coberto por sangue. Seu fim chegou e com ele a minha fama. Em pouco tempo todos no país sabem quem eu sou. Conhecem tudo sobre a minha vida e minha família. Sou o garoto mais popular entre os jovens rebeldes. Com o meu vídeo no youtube, ganho admiradores e inimigos por todo o mundo. Adolescentes da Rússia me acham o máximo e no Japão já se inicia à fabricação de um boneco meu. Nos Estados Unidos os principais roteiristas querem escrever sobre mim e chegou aos meus ouvidos que Spielberg exige que o meu papel seja do Leonardo DiCaprio. Na França querem que eu vá para a guilhotina e sou chamado de Novo Hitler na Alemanha.
Enquanto sou interrogado pelos agentes do juizado de menores, penso em tudo que fiz e resolvo que não é isso que quero da minha vida.

Volto ao meu mundo. Quero ser famoso fazendo o bem. Mas logo em seguida pensamentos diários e reflexões matinais vem a tona. Todas as vezes que pensei alto, alguém colocou um empecilho. Apoio? Raras vezes tive na minha vida. Seja dos professores, pais e amigos. Pensei em criar um site com mensagens rápidas, de no máximo 140 caracteres. Disseram que eu estava louco. E quem sabe o cinema 3D, onde todos veriam filmes com óculos especiais, onde a imagem vem até o espectador. Meus amigos riam, riam muito. Quem vai agüentar assistir um filme de óculos, deixa de ser ridículo, foi o que me falaram. Parti para o lado ambiental. Que tal ficarmos 1 hora com todas as luzes apagadas? É durante um dia, argumentei com professora, que no fim zerou o meu trabalho de ciências. A última tentativa foi na aula de redação, onde eu me sentia mais a vontade. Escrevi um texto sobre um vampiro, que não temia a luz, que não bebia sangue e que até podia amar uma mulher. Na mesma cidade havia homens-lobos e durante séculos as duas tribos rivalizavam. Entre as duas raças, havia uma jovem, vinda de fora da região, com o dom de mexer com o coração dos dois mundos e mudar tudo o que havia por ali. A professora achou a idéia boa, mas disse que vampiros não vedem mais. Era melhor eu escrever sobre um mapa do tesouro ou algo parecido. Pensei em escrever sobre um planeta distante, com pessoas azuis e avatares humanos, mas já haviam colocado um fim na minha inspiração.

Cansado de ser um ninguém resolvo desistir da fama, do marasmo e do heroísmo. Dirijo-me ao alto do meu prédio. Como quem quer correr para outro lugar, me atiro e coloco um fim em tudo que me aflige. Agora o que restou de mim, são só lembranças.

A partir de agora sou uma pessoa muito melhor do que fui, muitos vão me ter como exemplo. Seja de forma positiva ou negativa. A minha família jamais será a mesma. Meus pais em depressão vão falir, meu irmão mais novo enfrentara seções de terapia por muitos anos e o sonho de ter filhos da minha irmã foi por água abaixo. Não consegui ser alguém famoso, mas modifiquei a vida de algumas pessoas. Isso basta no momento.

Resolvo para de pensar, tenho que ir para a escola, na mochila coloco uma faca, meu caderno e o destino. A vida é feita de escolhas, posso ser mais um ou um jovem louco, sinônimo de rebeldia e o reflexo de uma péssima educação em casa ou uma pessoa que decidi lutar por um lugar ao sol pelos próximos 7000 dias da sua vida. Escolho ser eu mesmo, não é justo com a minha família, amigos e conhecidos, eles não merecem ter o seu nome envolvido com alguém louco, louco pela fama. No fim, acabo vivendo para eles ou para mim? Não sei, antes de sair, jogo tudo para o alto, não quero mais fazer planos, percebo que perdi como você agora, 5 minutos preciosos da minha vida pensando em coisas inúteis, e principalmente fazendo planos. Sou jovem ainda, preciso aprender que a vida não pertence a mim, chega de planos e dilemas, vou viver como o mundo quiser. A partir de agora, não quero ser grande, quero ser eu mesmo !

FIM

quinta-feira, 20 de maio de 2010

(70)

Quando fiquei sabendo dessa história, juro que não acreditei, mas descobri que é verdade. Então, apresento a vocês o dilema do ser humano.
Se divirtam !

Mil e uma faces
Minha vida é viver a vida dos outros, por apenas uma hora e meia sou alguém que eu não conheço, mas que naquele momento precisa que eu ocupe o seu lugar.

A rotina é simples, vou ao lugar combinado e com naturalidade assumo a falsa personalidade. Enquanto muitos estão dormindo, trabalhando, viajando, transando, estudando, seja o que for, eu estou no seu lugar. Não quero saber o motivo da minha contratação, a vida alheia é alheia. A atração é pela oportunidade de usar as várias máscaras, ser mais do que eu realmente sou. Na última semana fui dentista, ouvi médicos, inventei uma propaganda e até citei Freud nas minhas conversas.

Não sei como comecei, o que importa é que não quero e não consigo parar. A vida é tão grandiosa que é um desperdício ser uma pessoa apenas. Curto viver cada dia de uma forma inédita. Acredito que já perdi a minha própria identidade. Isso não importa mais, sou hoje um cidadão do mundo !

No momento não trabalho mais para os homens. A alternativa foi me vestir de mulher por tempo integral. O dia-a-dia feminino é muito cansativo. É troca de perucas, unhas pintadas, salto alto e até seios passei a usar. Não sou gay,de forma alguma, como Dustin Huffman em Tootsie, preciso deste papel, deste trabalho.

Minha família e meus amigos não fazem idéio do que faço para sobreviver. Eles acham que eu ainda estou trabalhando na Fiat. Minha rotina começa ás 7h e tem fim só no cair da noite. Almoço, descanso e me divirto durante o período que estou no trabalho. Como me alimento sendo uma pessoa diferente, jamais repito o cardápio. Gosto é gosto, cada um tem o seu.

As outras pessoas estranham um pouco, alguns descobriram o meu segredo, mas ninguém nunca tocou no assunto. É o receio de precisar dos meus serviços. Se tudo der errado não me sinto culpado. O cliente que se responsabiliza por tudo. O nome é dele, então, que fique com a culpa.

O que eu faço não é muito difícil, não tenho a prepotência de me julgar o único capaz a fazer isso. Na verdade, é muito fácil, precisa de um pouco de coragem e pontualidade. Respeitar os horários é o mais importante, afinal, alguém pode estar bem pendurado. Um número segura a minha profissão, os famosos 25%. O temor de muitos é o meu ganha pão. Tenho que correr, afinal, está na hora de fazer o meu trabalho.

Presente !!!!!!!!! To aqui professor !! EU !!!!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

(69)

OS BONS COMPANHEIROS

QUEM FEZ: Martin Scorsese

BRAVO!:Joe Pesci, simplesmente perfeito interpretando o mafioso Tommy Devito, um gângster desbocado e cruel, sem medo e receio nenhum de matar seja quem for. Oscar de melhor ator coadjuvante para o baixinho.

HISTÓRIA: Quando começa a trabalhar para o mafioso Paul Cícero (Paul Sorvino), o jovem ítalo-irlandês Henry Hill (Ray Liotta) acredita que o sonho de ser um gângster pode se tornar realidade. Aos quinze anos, Henry é apenas um motorista, mas com o tempo ganha notoriedade dentro da organização criminosa e decide abandonar a família e a escola para viver o sonho de ser um mafioso no seu bairro. Em pouco tempo, Henry ascende no mundo do crime, sempre ao lado dos seus dois companheiros, o perigoso James Conway (Robert De Niro) e o insano Tommy Devito (Joe Pesci).

CENA INESQUECÍVEL: Duas cenas são o destaque do filme. A primeira apresenta o momento de euforia da máfia quando Henry Hill é preso pela primeira vez. Nunca se fez tanta festa pela perda de uma “virgindade”. Beijos e abraços para o mais novo fora da lei do bairro. Simplesmente genial. Outra parte chocante acontece quando os três amigos precisam desenterrar um cadáver morto por eles há muito tempo. Apesar da situação esdrúxula, os mafiosos não perdem a oportunidade de brincar uns com os outros. “Você que uma perna, um braço ou a coxa?” Rsrsrsr Genial.

BÔNUS: A narração de Ray Liotta e Lorraine Bracco. Mais uma vez Martin Scorsese usa e abusa da narração para contar a história do seu filme. É assim que se faz cinema. Palmas para o diretor.

MORAL DA HISTÓRIA: “Melhor viver no crime do que ter uma vida normal”
O filme é sobre a máfia, mas no fundo é uma leitura sobre o homem e o seu desejo de ter uma vida grandiosa. Ser gângster implica em viver fora da lei, com roubos, torturas e mortes. Para Henry Hill tudo bem, desde que ele não seja um homem normal, vivendo dentro da eterna rotina do dia-a-dia. Estar dentro da máfia é sinônimo de liberdade e facilidade. Na falta de dinheiro, assalte um aeroporto. Problemas com a polícia e com seus inimigos? Mate-os. A lei não é um empecilho para aqueles que não podem ser pegos. Como podemos viver cada dia como se ele fosse o último, se todos eles são iguais? Henry Hill achou a resposta. Seja um Gângster.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

(66)

Eu Ignoro

Fui ao Mineirão no último domingo, acompanho tudo o que acontece na internet e sou um torcedor fiel. Por isso eu afirmo, não ACREDITO, eu simplesmente IGNORO.

Ignoro a vantagem do São Paulo, a presença da sua torcida, a força do seu time e as contusões do Cruzeiro. Eu não quero saber disso. Não acredito que a confiança seja o sentimento certo para guiar o time a próxima classificação. Todos podem acreditar, todos tem fé, mas são poucos os que conseguem jogar com frieza, com a mente limpa.

Não adianta buscar inspiração em banners, vídeos ou fotos. A chave para vitória está em entrar no gramado de cabeça limpa, sem ouvir o que a imprensa, torcida, adversários e os rivais forem falar. O desejo de vencer precisa estar presente em cada um, é necessário mais do que crença nessas horas. Se conselho fosse bom, não era de graça.

Na minha opinião, aprendemos mais de cabeça vazia. Sem preconceitos, conceitos, virtudes e esperanças. É entrar em campo para jogar mais uma partida, se perder, o que podemos fazer? Caímos do último andar no ano passado, nada pode ser pior do que isso. Não vamos colocar mais uma pressão nos jogadores e no Adílson. Eu sinto que o grupo está cansado, então, vamos relaxar, ignorar tudo que está ao nosso redor e simplesmente jogar futebol.

(66)

O Mundo seria muito melhor se as pessoas parassem de fazer esse coraçãozinho com as mãos. É sério, não é um gesto bonito, romântico ou simpático. É na verdade, uma afronta à própria inteligência. O autor do gesto não tem idéia de se fica mais estúpido ao juntar os dois membros responsáveis por sinfonias históricas, pinturas eternas e textos brilhantes para se fazer um coração, que não significa absolutamente nada para o mundo.

Está apaixonado? Compra um presente, leva a namorada para jantar, faz um filho, agrada a sogra, mas pelo amor de Deus, não joga todo o romantismo do mundo fora fazendo esse gesto dantesco.

Quem é o culpado dessa febre espanhola? Alexandre “o” Pato. O garoto fez uma vez, não foi repreendido pela sua namoradinha, conclusão: virou moda. Como a justiça existe, o que se viu depois foram chifres, separação turbulenta e uma conta bancária bem mais pobre Stefany! Se estou com pena da atriz global? Nem um pouco, que ela volte para o Marrocos.

Quando você pensa que o mundo já lhe castigou muito, tem sempre algo pior para acontecer. Agora a moda é fazer os tais coraçãozinhos em todos os lugares. É no orkut, no my space, no face book, aonde for. Ô pobreza de espírito Brasil. Daqui a pouco a febre invade o twitter. “Estou fazendo um coração com mãos, amo vc bemmm“ Ama nada, você a odeia, seu canalha !!

Isso tudo se refere a um conceito: Não se faz mais imbecis como antigamente. Uma pena. Na minha época a moda ficava por conta dos chifrinhos em fotos, de abaixar a calça dos colegas, apertar os botões do elevador e o clássico, fugir depois de tocar a campainha. Cadê tudo isso? Hoje é melhor pagar um mico do que levar umas chineladas. Infelizmente o politicamente correto invadiu até o submundo da criancice. Uma pena.